Leia aqui um trecho de "o insensato turista", de Jória Lima:
“E daí?” Depois de meio século vivendo para dar satisfações a quem não merecia, ele já não se importava mais em ser aceito ou acreditado. Não estiveram com ele quando arrancava espinhos de tucumã dos pés rachados, endurecidos pelo calor inclemente do chão, pisando gravetos numa floresta em decomposição. Ele conhecia suas veredas e verdades, e isso bastava.
Naquele mormaço que cozinhava seus miolos sob copas imensas e acolhedoras apenas na aparência, ele tinha certeza de uma coisa: o verde nem sempre é dócil. Na verdade, quase nunca é. Mas, mesmo assim, a cidade era muito pior. Seu coração era verde, pulsava junto com a selva na dança do universo.
Naquela tarde de maio, o céu exibia um azul turmalina, um verdadeiro 'céu de Brigadeiro'. O título mais alto da aeronáutica, pensava, enquanto ele próprio havia sido apenas um capitão desertor. Desertor, sim senhor! Repetia para si mesmo, sentindo um misto de culpa e orgulho. Lembrou-se do dia em que decidiu ficar e nunca mais olhar para o passado que o prendia em dor e angústia.
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