Leia aqui um trecho de "o quintal", de Raquel de Medeiros:
O mundo da menininha era seu quintal.
Lá pra frente o acharia pequeno, mas por enquanto era a ilha de Robson Crusoé a ser explorada.
Passeava todos os dias indo e vindo várias vezes por baixo dos pés de goiaba, de pitanga e de ameixa, caçando o que fazer e descobrir.
E quando vinham as frutas...
Goiaba não comia que tinha bicho, a mãe falou. Só dava pra doce.
Pitanga depois eu falo, que é capítulo especial da menininha.
Ameixa, às vezes comia pra o pé não ficar enciumado, mas não gostava, só fingia.
Em um ano ou outro saboreava, de dois pequenos pés preguiçosos, as estranhas carambolas e limonada caseira de limão-galego (um nome que adorava dizer).
Quem a via dizia que tinha dó, que era sozinha.
Gente grande não entende e não enxerga a grandeza e a riqueza de um quintal (um quintal de verdade, é claro!). Não vê quanta gente habita este universo. Gente pequena, gente invisível, “gente” animal, vegetal... e até “gente” mineral, pois que ouvira uma vez seu pai lendo nas Escrituras Sagradas que se ninguém quiser falar de Deus para as pessoas que precisam dele, Deus dá um jeito. Na falta de “gente humana”, ele faz pedra falar.
o quintal, de raquel de medeiros
Olá! Meu nome é Raquel de Medeiros Alexandre. Nascida em Santo André no dia 15 de abril de 1965.
Recentemente conquistei a aposentadoria da carreira de professora, em que implicava, também, na necessidade de certas habilidades extras: contadora de histórias, atriz, cantora, compositora, psicóloga, socorrista, humorista, domadora de feras, etc. Mas acima de tudo, a habilidade de enxergar o mundo na perspectiva de uma criança. O que me fez chegar bem até aqui apesar dos percalços.
Academicamente falando, sou formada em História, com pós-graduação em História da Arte e Arte-educação e, logicamente, Pedagogia.
No tempo livre, uma boa leitura ou um bom filme costuma ser rotina. Mas... “Há um mundo lá fora!” é a frase normalmente dita por quem espera a tão sonhada aposentadoria e eu mesma seguia dizendo. E foi aí que novas possibilidades de atividades prazerosas fizeram fila de interesse.
Algumas que andavam congeladas, esperando o momento certo do degelo. Entre elas, a escrita literária.
Espero que um pouco de ócio me favoreça na criatividade pra outros contos e na contemplação da vida, pra um pouco de poesia, quem sabe crônicas.


