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Leia aqui um poema de "o sangue dos gigantes", de Leonardo Cardoso:

 

Lua de nanquim

 

Me olhava todas as noites

Estática e perfeita 

Mirava

O eclodir dos meus soluços

O cão velho trotear na madrugada

O vento acotovelando a janela

O escorrer das paredes

Os outros universos enquadrados

[Cativos da própria diegese]

Os livros que rotacionam pelo quarto

Os que se cobrem de poeira

As mãos e bocas que beijam o falo

Os amigos que ali bebiam

O mosquito que zunia

A cartela vazia

O cabide quebrado

O beck apagado 

A solidão desconvidada

A cadeira que precisa de óleo

O monitor obsoleto

A xícara de chá frio sobre a escrivaninha

O bic sem fluido embaixo da cama

O espelho com marcas de dedo

O amanhecer que violenta a persiana

As cobertas bagunçadas

A porta entreaberta

A luminária de antiquário

[Com a luz em meia fase]

E a lua, imortalizada em pigmentos,

Dali não pode fazer muito

Pois os satélites

Não foram feitos para folhas de papel

o sangue dos gigantes, de leonardo cardoso

R$ 55,00Preço
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  • Leonardo Cardoso nasceu em Canela, na serra gaúcha, e hoje vive em Porto Alegre. Produtor editorial, fotógrafo, poeta e antropólogo amador, formou-se em Jornalismo pela PUCRS e atua na Isto Edições, onde acompanha de perto o nascimento de livros de poesia. Leitor voraz desde a infância, encontrou na escrita um espaço de expressão que, aos poucos, deixou de ser escolha para se tornar necessidade. O sangue dos gigantes é seu primeiro livro.

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