Leia aqui um poema de "o sangue dos gigantes", de Leonardo Cardoso:
Lua de nanquim
Me olhava todas as noites
Estática e perfeita
Mirava
O eclodir dos meus soluços
O cão velho trotear na madrugada
O vento acotovelando a janela
O escorrer das paredes
Os outros universos enquadrados
[Cativos da própria diegese]
Os livros que rotacionam pelo quarto
Os que se cobrem de poeira
As mãos e bocas que beijam o falo
Os amigos que ali bebiam
O mosquito que zunia
A cartela vazia
O cabide quebrado
O beck apagado
A solidão desconvidada
A cadeira que precisa de óleo
O monitor obsoleto
A xícara de chá frio sobre a escrivaninha
O bic sem fluido embaixo da cama
O espelho com marcas de dedo
O amanhecer que violenta a persiana
As cobertas bagunçadas
A porta entreaberta
A luminária de antiquário
[Com a luz em meia fase]
E a lua, imortalizada em pigmentos,
Dali não pode fazer muito
Pois os satélites
Não foram feitos para folhas de papel
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R$ 55,00Preço
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