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Leia aqui um trecho de "o seringal de santa fé e outros contos amazônicos", de Augusto Rodrigues de Sousa:

 

— Então o senhor quer mesmo ir a Santa Fé? Eu, se fosse o senhor, pensava duas vezes. Aquele lugar tem dono e tem vigia!

Não sei se o senhor acredita nessas coisas... Pelo jeito, não. Gente da cidade, como o senhor, costuma crer só no que se compra ou se vende. No que dá dinheiro. No que tem recibo. Mas tem coisa que não se vê e mesmo assim existe. Aqui, a gente sabe.
E o senhor acreditando ou não, o fato é que lá tem vigia. E não é deste mundo, não. Já foi, mas agora é encantado. Eu conheci o danado em carne e osso. Encarnado em gente, assim que nem eu e o senhor.

Se chamava Manuel Vicente. Um sujeito realmente diferenciado. Chegou por aqui lá pelo ano de quarenta e cinco, trazendo a mulher, dona Dorinha, e um menininho, o primeiro filho: Cícero. O menino devia ter uns cinco, seis anos. Digo isso porque devia ter mais ou menos a minha idade. O governo recrutou um monte de arigós que nem ele para ser soldados da borracha, um jeito chique de dizer que iam trabalhar feito uns condenados para mandar borracha para a indústria da guerra. Eles vinham para cá cheios de promessas, mas maioria só recebeu foi muito trabalho, humilhação e, no final, uma cova rasa.

o seringal de santa fé e outros contos amazônicos, de augusto rodrigues de sousa

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  • Augusto Rodrigues de Sousa é um escritor amazônida, nascido em Porto Velho – Rondônia. Atualmente, é professor de Filosofia no Instituto Federal de Rondônia na cidade de Guajará-mirim, localizada na fronteira com a Bolívia. “O Seringal de Santa Fé e outros contos amazônicos” é seu primeiro livro, escrito a partir de retalhos de memórias familiares e relatos populares com toques de fabulação do próprio autor.

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