Leia aqui um trecho de "onde o medo dorme", de Karoline Cruz Santos:
Escrevemos o que conhecemos
Eu escrevo saudade, ódio, rancor, culpa, arrependimento, solidão.
Tu escreves amor, felicidade, epifania, utopia, conexão e saudade…
Será que há possibilidade de nos conectarmos
apenas pela saudade?Saudade do que já fui,
do que sou,
do que venho a ser,
da possibilidade iminente de mudança,
saudades suas.Do que costumavas ser,
não do que és
e provavelmente não sentirei mais saudades
do que pretendes te tornar,
gostaria de cortar o mal pela raiz.Com tormento suficiente
para me causar danos irreversíveis
mais uma vez.Mas sigo no looping
do seu olhar, toque e cheiro.Um dia me libertarei
e ficarei despedaçada,
porém livre.
onde o medo dorme, de karoline cruz santos
Karoline Cruz Santos, natural de Rio Grande, tem 23 anos e é graduanda em Letras — Português e Inglês — pela Universidade Federal do Rio Grande.
Sua produção literária concentra-se na poesia contemporânea, transitando entre experiências íntimas e questões sociais por meio de uma escrita sensível, imagética e reflexiva. Em seus textos, aborda temas como feminilidade, maternidade, memória, pertencimento, amor e melancolia, utilizando a poesia como espaço de expressão e permanência.
Durante a graduação, entre palavras, ausências e recomeços, tornou-se mãe — experiência que atravessou sua forma de sentir, compreender e escrever sobre a vida. Desde então, busca na literatura maneiras de compreender os sentimentos, os silêncios e as complexidades da existência humana.
Influenciada pela literatura contemporânea e pela escrita confessional, encontra na poesia uma forma de resistência, elaboração emocional e construção de sentido.
Onde o medo dorme é sua primeira coletânea poética.
