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Leia aqui um poema de "os sextantes ou a comunhão dos santos", de Vinícius Carvalho:

 

Salmo das Súplicas que latejam nos ossos

 

Senhor

Dá-me um sinal

Diz-me se sou poeta

Se me queres emudecido Um monge

Um asceta

Um falso profeta Ou peregrino

 

Ah Senhor

O que chega a mim É só Silêncio

Tua voz de vácuo Absoluta ausência Não-Ser a estalar meus ossos

 

Senhor

Minha religião É a heresia Ardo na mesma fogueira

Que queimou Putas

Bruxas Bárbaros

E feiticeiros

 

Não tenho o dom

de comer gafanhotos

E se falo em línguas

Entendem-nas

Os vagabundos

Os fracassados

Os descaralhados

Os estrupícios

Da Baixa do Sapateiro

Da Zona do Meretrício

 

Então Deus Terrível

Que explode estrelas

E dizima exércitos

Tira um minuto o olho

Do tabuleiro do teu jogo de Guerra

E me respondes

Quando faço versos Senhor

Tu te alegras

Ou te escondes?

Repara bem meu Deus

Que hoje não estou

Para brincadeiras

Se vem a ser meu Pai

Dispensa-me então

Um segundo de tua atenção

 

Olha-me com esse olhar

que transpassa a carne

e diz-me logo se me queres

vivo nesse mundo.

 

Inculca-me algum senso de missão

Que seja a poesia

Que seja o nomadismo

A mendicância

Ou quarenta anos no deserto

Mas que eu esteja certo!

 

Se não meu Deus

É coisa de pular

Da Rio-Niterói

Não tanto pelo que é

Ou será

Mas pelo que não foi

E ainda dói

os sextantes ou a comunhão dos santos, de vinícius carvalho

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