Leia aqui um trecho de "oxímoro", de Rafael de Paiva:
No dia em que tentei me matar, tomei centenas de comprimidos. Tirei um por um das cartelas e empilhei na cama de casal do meu quarto, que empurrei até a porta para tentar impedir que ela fosse aberta, já que eu não tinha a chave. A cama era o único móvel do quarto, que eu quase não utilizava, no meu apartamento em Belo Horizonte. Me sentei nela e observei os comprimidos por alguns momentos antes de jogar todos para dentro da boca a punhadas e goladas de água.
oxímoro, de rafael de paiva
Rafael de Paiva é mineiro e formado em Direito pela Universidade Federal de Lavras. Atua na área jurídica, mas mantém a escrita como exercício constante de observação e elaboração da experiência cotidiana. Interessado pelas contradições das relações humanas, escreve a partir de experiências íntimas, memórias e deslocamentos afetivos, buscando transformar situações comuns em narrativa.
