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Leia aqui um poema de "palavra-pássaro, palavra-peixe", de Marina Takeishi:

 

Experimentar conceitos:

Tirar-lhes a roupa com a letra;

Vestir o presente de infinito;

Perder as linhas da composição;

Dedilhar a língua nos sonhos;

Redigir os contos na pele.

 

Ampliar detalhes:

Corporificar os excessos de mínimos;

Alargar as minúcias do ínfimo;

Compor a magnitude do cílio do canto do olho esquerdo, se abrindo lentamente, em milímetros de pálpebra, apenas o suficiente possível para enxergar a borda da gota de rio voando no vapor de sol, contornado em sete cores de um arco-íris.

 

Entender a imensidão disso.

 

Respirar poros no corpo para desaguar suores do sentido;

Significar palavras que insistem em não encontrar forma;

Formar sílabas em descompasso sinfônico;

Cantar sons que melodiam em silêncio.

 

Inventar novas frases para escrever o poema que ficou no mistério.

 

palavra-pássaro, palavra-peixe, de marina takeishi

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