Leia aqui um trecho de "palavras necessárias de dores desnecessárias", de Ana Luz:
Nem sempre é sobre o ar
O ar consegue te tocar sem você o ver, acaricia o seu rosto e depois parte a procura de outro coração para cativar. Às vezes, o ar é repreendido, mas será mesmo que ele está errado? Vive vagando por aí, esbarrando em tudo e todos, sem ficar em nenhum lugar. Tenho pena do ar, tão puro e ainda assim, sem morada.
Sinto a raiva que ele carrega em seu furacão, a tristeza que esconde na neblina. Tão miserável, o ar: alimenta multidões, mas nunca conhece o sabor do próprio alívio. Percorre por todos os lugares, mas não tem para onde voltar.
palavras necessárias de dores desnecessárias, de ana luz
Ana Luz nasceu em Juazeiro, Bahia. Escritora desde os 12 anos de idade, encontrou na poesia o suporte fundamental para traduzir sua percepção do mundo e a profundidade de suas emoções. Participou da coletânea "Sussuros do inconsciente", e Palavras Necessárias de Dores Desnecessárias é sua primeira obra solo publicada, marcada pela sensibilidade do verso e pela exploração da literatura afetiva, utilizando a palavra como ferramenta de autoconhecimento e expressão.
