Leia aqui um trecho de "penso em tudo o tempo todo", de Gustavo Nolla:
Então passou a visitar o monstro à noite, na caverna fria, enquanto o outro alguém dormia na cabana do outro lado da ilha. Deixava que o monstro o devorasse lentamente até se transformar em pérola, e em troca, os fins de tarde seriam apenas dos dois. Achou que assim as coisas dariam certo, sem perceber que a cada passo nessa direção, enraizava-se cada vez mais na ilha que havia criado. O outro alguém percebeu. O outro alguém notou que a ausência do monstro explicava-se pela sua expansão dentro do menino, e teve medo. E partiu. No mesmo barco que havia vindo, com a mesma facilidade que havia pisado na ilha, partiu. E o frio que o garoto sentiu naquele momento foi maior do que qualquer toque de qualquer monstro.
