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Leia aqui um poema de "pluviopoética", de Luana Peixoto:

 

Anja caída

 

Quem vê os outdoors que fiz

As algazarras e as imprudências

Acha consigo em sua inocência que sou infeliz

Mas não vê que o que compensa

 

é ter riso na despensa assim pra quando precisar

 

A vida é esse precipício que nos lança

E a felicidade é uma paisagem da queda

Um esbarrão com o outro nas esquinas do abismo

A sensação de pés no chão mas a certeza que não

 

Felicidade nessa queda-vida

Vem da ordem da mudança, da resposta

Da novidade e do prazer

 

Essa vida: queda sem trégua

É o chão e o sangue dos machucados

o andar, o aprender voar novamente

Subir, subir, subir, subir...

 

Esbarrar em queda, criar asas,

perder asas, o chão, os machucados

A cegueira do vento que seca os olhos

O balançar dos cílios e as metáforas em dança

 

Aterrados e sem terra

Lançados à desordem, ao nada

Ao tudo e ao que não se alcança

Ao próprio limite e além

 

Mas e o sentido de tudo isso? Me pergunto

Subir, cair, se machucar, reaprender

E depois o término, e depois o ser, ser só pretérito

E depois sermos pós, e depois sermos lembranças

E depois da nossa lembrança, sermão?

 

E depois, os restos pérfidos, vendaval

e depois os erros perdidos, perdão

E depois, os amores sem resposta, o remorso

E depois, as flores para o caixão...

E depois do depois só questão...

E depois tudo o que não importa

Pois ainda há vida pra viver em vida

pluviopoética, de luana peixoto

R$ 45,00Preço
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