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Leia aqui um poema de "poemas azuis", de Luana Gabriele:

 

O rato

 

Perdoe-me, Dotô,

por não voltar ao consultório.

Naquela sala

quando me sentei diante do senhor,

a pele coçou como se lembrasse

de quem eu era ali.

Fui encolhendo

Ficando miúda

feito quem se esconde do mundo

até caber debaixo do seu sapato.

De repente, eu era um rato

miúdo, cinza, trêmulo

encarando um homem.

um homem reconhecido,

que tinha almoço garantido

e diploma pendurado na parede.

Enquanto eu

mal tinha uns trocados para a consulta

Mas não há receita pra miséria,

nem bula que ensine dignidade.

Então me perdoe, Dotô

Se eu não consigo voltar a consulta

não é que eu não queira melhora,

é que naquela cadeira,

Eu deixo de ser gente.

poemas azuis, de luana gabriele

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  • Me chamo Luana Gabriele, tenho 20 anos e sou estudante de psicologia! Devo todo meu nascer poético a minha professora de língua portuguesa, Marli Walker que é uma poeta maravilhosa do Mato Grosso. sou mãe de gatos, musicista e cantora nas horas vagas. adoro escrever poesia como uma expressão dos meus sentimentos, todos são sensíveis e tocados pela melancolia que me atravessa desde a adolescência.

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