Leia aqui um poema de "poemas gregos", de Edson Pielechovski:
debochando da solidão
de que adianta ao homem
ganhar o mundo
e perder sua alma?
Nudez é arma eterna
(dragão humilde: adeus)
herói distante
protejo meu sacrifício
pra dar asa às cobras
roubo o que você ama
porque não sei ser bom
face a face
de que adianta ao homem
pobre, sozinho e louco
ganhar a paz?
professor distante
respeito meu sacrifício
de cobras bicéfalas
escravizo o que você ama
porque não louvo a liberdade
do caminho reto
Cegueira é a essência do ser
(Medusa linda: adeus)
de que adianta ao homem
rir de Deus
e debochar da solidão?
poemas gregos, de edson pielechovski
Edson Pielechovski nasceu em Porto Alegre, em 1983. Vive, desde 2006 — embora com algumas interrupções —, em São Paulo, cidade para a qual migrou na cara e na coragem. Nesse período inicial chegou a viver em situação de rua e, com isso, desenvolveu profundas neurodivergências, pois também era recém-ex-usuário de drogas pesadas. Em desespero, recorreu à literatura e ao teatro como instrumento de reorganização emocional. Desde então, encontrou-se e nunca mais deixou de se relacionar com a poesia. Em 2016, passou a trabalhar como mula internacional de cocaína, vindo a ser preso em 2019, na Grécia: os primeiros dois anos em Atenas e, até fevereiro de 2023, em Pátras — local de nascimento dos poemas deste livro.


