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Leia o poema Bem que podia, de Mila Nascimento, em poemas paridos de cócoras (porque assim dói menos):

 

 

Bem Que Podia 

Eu confesso que não sei sorrir facilmente  E que os últimos dias não têm sido gens com a minha mente Confesso que tô tentando me esforçar  Respiro fundo  Conto até dez  Rezo  Tomo chá  Uma hora, certo há de dar!  Tem vida aqui dentro  Sabe lá se vai continuar  A gente não sabe para que serve, tanta angústia no caminhar Podia ser fácil  Tranquilo  Mamão com açúcar ou brisa do mar.  Podia ser leve  Ter mão dada sempre  para os perrengues enfrentar  Podia ter mãe saudável  Justiça intocável  Boleto pago  Olhar sereno  “Te amo, linda! Meus dias são melhores com seu cheiro, seu corpo e seu olhar!”  E aí a gente podia viver uma vida boa  Criançada correndo  Bebê crescendo  Moça voando  Vovó curada olhando  A outra avó famosa cantando  Seria bom de um tanto, que nem sei explicar!  Mas, mas das contrariedades da vida  As coisas são mais duras e digo até,  com licença poética,  SEVERINAS E aí, para disfarçar  A gente bota flor na cabeça  Esboça sorriso sem vergonha  Filho da Puta esse sorriso  mais falso que fantasia de bazar.  E vai vivendo  até, sei lá onde  e até quando a gente der  conta de chegar.  

poemas paridos de cócoras, de Mila Nascimento

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