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Leia aqui um poema de "poesia à sombra dos ipês", de Renilda Viana:

 

Bem que te vi

 

Todas as manhãs, acordo com o despertar dos Bem-te-vis. 

Não, eles não estão pousados numa árvore frondosa, por onde, abaixo, ouve-se o barulho de uma pequena correnteza que desce de um regato de águas límpidas! 

Eles despertam, assim como eu, no alto de um prédio, por onde, abaixo, carros e motos disputam espaço e ferem nossos ouvidos. 

Seu canto é lamento, ou será uma denúncia? Parece dizer: 

Bem que te vi… 

Poluindo as águas do mar e dos rios, 

Jogando lixo nas ruas, 

Botando fogo na mata 

E ceifando vidas inocentes. 

Ah, Bem-te-vi! Fostes testemunho de tantas belezas naturais! 

Hoje, um vigilante dessa selva de pedra, gélida e cinza, onde, no interior de sua bela arquitetura, o réu da natureza prova do próprio veneno e morre lentamente. 

É bom tê-lo como vizinho; o teu lamento me faz lembrar de tempos outrora, quando éramos felizes e não sabíamos!

poesia à sombra dos ipês, de renilda viana

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