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Leia aqui um poema de "polifonia", de Marcos Paulo Carlesci:

 

Polifonia I

 

Dizem que minha língua jaz morta

Decrépita e sem corda

Já não serve pra falar

 

Disto claramente discordo

Pois não há neste sítio mórbido

Outra língua senão

 

Entretanto

 

Não se importe meu amado

Se neste mês me sobrarem uns trocados

Comprarei uma língua nova

Arrojada e bem lustrosa

Todos hão de ver que bafafá

 

E já com ela em mãos

Farei sala e farei salão

E além de tudo falarei, também

Das completas macaquices sem lei

De mais um profeta bufão

polifonia, de marcos paulo carlesci

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  • Marcos Paulo Carlesci é natural de Araraquara, interior de São Paulo, e Cientista Social de formação. Entusiasta das artes visuais, define-se como um poeta daquilo que não cabe na cabeça e sequer no peito. Há cinco anos, dedica-se a movimentar sentidos e sentimentos através da palavra, explorando a linguagem como uma extensão do sentir. Suas criações bebem da fonte de Paulo Leminski e da precisão da poesia e arte concreta, encontrando diálogos constantes com o rigor e a inventividade de figuras como Augusto de Campos e Judith Lauand. Aos 28 anos, este livro marca sua jornada de dar corpo ao que transborda.

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