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Leia aqui um poema de "polifonia", de Marcos Paulo Carlesci:

 

Polifonia I

 

Dizem que minha língua jaz morta

Decrépita e sem corda

Já não serve pra falar

 

Disto claramente discordo

Pois não há neste sítio mórbido

Outra língua senão

 

Entretanto

 

Não se importe meu amado

Se neste mês me sobrarem uns trocados

Comprarei uma língua nova

Arrojada e bem lustrosa

Todos hão de ver que bafafá

 

E já com ela em mãos

Farei sala e farei salão

E além de tudo falarei, também

Das completas macaquices sem lei

De mais um profeta bufão

polifonia, de marcos paulo carlesci

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