Leia aqui um poema de "por trás de portas fechadas", de Daiane Oliveira:
É ASSIM QUE EU DESAPAREÇO
Eu me quebrei em diversos pedaços
E aprendi a agir como se cada um deles fosse um todo
Eu passei a escolher a dedo qual pedaço mostrar a quem
Como um teste de Einstein distorcido
Eu lapidei ao máximo
As bordas irregulares de cada pedacinho meu
Para tentar fazê-los se encaixar na vida de outras pessoas
Sem causar nenhum dano
Mas por algum motivo
Elas continuam cortando meus dedos
Eu sempre faço o possível para me encaixar
Preenchendo todo vazio
E ainda ocupando o menor espaço possível
Acho que apenas quero ser vista
Ser reconhecida como uma boa pessoa
Ou que as pessoas ao menos se importem o bastante
Para me pintar como um demônio
Eu apenas quero que os elogios que recebo
Penetrem minha mente como algo mais que ruído branco
Ou que simplesmente deixem de soar tão falsos
Eu quero, mas não digo
Não peço
Eu finjo que as migalhas que me atiram são o suficiente
Afinal sou eu quem sempre busca a distância
Como posso reclamar da falta de afeto?
Como eu posso reclamar da falta de contato físico
Se me afasto de cada toque?
Como posso reclamar da falta de amigos
Se sempre opto por manter meus laços tão rasos?
Como posso esperar por ajuda
Se nunca peço por medo de ouvir um não?
E é assim que eu desapareço
Sem dizer uma palavra
E você nem vai sentir minha falta
É assim que eu desapareço
E isso não vai fazer a mínima diferença em sua vida
É assim que eu desapareço
E você nem percebeu que eu já fui
É assim que eu desapareço,
E você nem sabia que eu estava aqui
por trás de portas fechadas, de daiane oliveira
Nasci em 1 de fevereiro de 1995 na cidade de Angatuba no interior de São Paulo, onde moro até hoje. Sou formada em Publicidade e Propaganda pela UNIP de Sorocaba. Sempre gostei de inventar histórias e escrever. A maior parte do meu trabalho são fanfics e contos postados no Wattpad desde 2017, mas este é o meu primeiro livro.
Instagram: @dcolivera


