Leia aqui um trecho de "poéticas da dor: o sofrimento mental nu e cru", de Bárbara Rigamonte:
Desperto o dia em agonia,
Avassaladora sensação.
Pensamentos ruminantes.
Há dias que o gosto pela morte diminui,
Em outros, permanece
Uma presença obscura
Que rouba a alegria do olhar.
Ainda que haja qualquer sinal de melhora
Continuo assombrada pela lembrança
De um vazio que nunca vai embora.
poéticas da dor: o sofrimento mental nu e cru, de bárbara rigamonte
Bárbara Rigamonte é belo-horizontina e reside na Capital, e atua como artista plástica e pesquisadora pela Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG. Sua trajetória artística profissional se inicia em mostras coletivas e individuais, e em suas obras transpõe sua realidade como mulher autista, retratando cotidianos, ambientes e interações sociais, buscando criar vertentes para assuntos ligados a saúde mental, e durante anos acumulou poesias e frases autorais ligadas à sua angústia. A escrita surgiu então como conector, principalmente para as suas pesquisas artísticas, ou seja, atuando como um forte elo entre duas linguagens não verbais.
