Leia aqui um trecho do livro "pura audácia", de Janaira Rodrigues:
Audácia ancestral
Eles acham-me corajosa
Como não ser?
Eu acho que sou mesmo é audaciosa.
Tenho força histórica Carrego a força da voz que adormecia nos seus sonhos injustos a Casa-Grande
Tenho sangue ancestral de mulheres e homens gigantes.
Eu sou Palmares, Sou Garcia, Eu sou Benguela
Sou amefricana
Carrego a audácia de Jesus, e a pungência da escrevivência evaristiana.
Eu sou a voz de quem veio antes de mim.
Caminho pelas estradas que foram abertas pelas que vieram antes
Escrevo com sede, fome e urgência.
Porque não sou só,
Sou povoada Nunca ando só
Carrego os passos e abro caminhos para quem virá depois de mim
Alguns chamarão de sorte Outros, de força.
Na verdade, eu tenho mesmo é revolta
E usei-a para escreviver.
Porque eles combinam sempre de nos matar,
mas nós, combinamos de não morrer.
