Leia aqui um trecho de "quase amor", de Gisela Rodriguez:
Observo os edifícios cinzas recebendo a luz dourada do entardecer. As ruas vão submergindo na noite, avançando lentamente. Penso nas paixões que me acometem, e é sobre essa milagrosa experiência que desejo falar. Preciso sair daqui para evocar esse livro. Fecho os olhos. Estou agora mergulhando na densidade misteriosa do mar. Brincando de pertencer à cidade perdida de Atlântida. Quietude em que se percebe a vibração da existência mas não se pode explicar. É um vácuo aquático, delírio de voo. Defino as passagens que me agradam nessa história. Escolho os capítulos necessários, permito-me saudar a nostalgia. Sentimentos bons e ruins. E todas as idades que eu já tive. O canto das sereias me chama para essa insanidade. Por que sou humana? Volto a respirar.
quase amor, de gisela rodriguez
Gisela Rodriguez é mestra e doutora em Escrita Criativa pela PUCRS; atriz de teatro pela Faculdade CAL de Artes Cênicas (RJ). Autora dos romances “Entre a Neve e o Deserto” (Libretos Editora, 2014), “Breve como tudo” (Ed. Bestiário, 2021), “O Jogo da Escrita” (Libretos Editora, 2024), do livro de poemas e fotografias “Desordem” (FUMPROARTE, 2015). Dramaturga, diretora e atriz da peça teatral “A MESA – Grécia, Eros, Rock e Filosofia” (Bolsa FUNARTE de Apoio a Ações Artísticas Continuadas, 2025). É professora e ministra oficinas de teatro e literatura. Integrante do Grupo Nômade onde realiza roteiros dramatúrgicos e direção teatral. Diretora do TENDA – Teatro Estudantil e Núcleo de Arte no Ateliê PUCRS Cultura. Escritora homenageada no Sarau Voador (de Deborah Finocchiaro e Roger Lerina), 2024.
