Leia aqui um trecho de "quero-quero", de Eduarda Manzke:
Como se pedisse desculpas por ter me deixado sozinha com ele mesmo quando eu lhe pedi que o fizesse e se uma parte de mim queria ter raiva dele por isso, a outra gritava incessantemente que era minha culpa. E nenhuma estava certa. Henrique só largou minha mão quando meus pais chegaram.
Henrique mostrou para mim o teste de gravidez positivo. Sentados no chão, um em cada lado da porta, nós ouvíamos Cecília chorar dentro do banheiro. Você só tem 16 anos, eu queria dizer, mas não disse porque ele já sabia muito bem disso. Minha mãe vai me matar, ele dizia, meu pai vai me botar pra fora. E o choro ficava mais forte. O que vocês vão fazer?
quero-quero, de eduarda manzke
Eduarda Manzke nasceu em Bagé, Rio Grande do Sul, em 2002 e está inventando histórias desde então. Graduada em Letras e em uma constante busca por um mundo mais justo, sua escrita quer reconquistar o lugar onde nasceu. Seus interesses estão na escrita coletiva, nas multipossibilidades que se abrem quando as pessoas se dispõem a criar juntas, na literatura que se faz longe dos grandes centros, nos projetos que nascem da paixão. Curiosidade, teimosia e persistência são motes que guiam seus escritos. Uma eterna devota da ideia de que a literatura é um direito humano. Participou com seus contos de coletâneas e em projetos coletivos de escrita, organizou e participou de projetos culturais em sua cidade e integra a Confraria dos Poetas Livres de Bagé. Quero-quero é seu livro de estreia.


