Leia aqui um poema de "relógio de areia", de Valéria Guerra:
ARIDEZ
Assusta-me o deserto:
a solidão dos camelos
o silêncio da areia
a vastidão do vento
Lugar onde a espera se apaga
Profunda aridez envolve a matéria
Surgem revelações da areia infinita
Antigos enigmas, tramas
Desfilam langor, iluminações
Aparições de onirismo
Se o grão não morre,
aprender os segredos da areia
relógio de areia, de valéria guerra
Valéria Ribeiro Guerra é Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense e Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-RJ. Inicialmente dedicou-se ao estudo da autoria feminina e às questões a ela relacionadas; posteriormente, voltou-se para a literatura histórico-ficcional de cunho autobiográfico e memorialístico sobre imigrantes. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, cidade em que atuou profissionalmente como professora de Língua Portuguesa e Literatura. Participou de concursos literários, antologias de poesia e festivais da canção. Atualmente dedica-se à escrita poética e publica Relógio de Areia, obra marcada por múltiplas reflexões existenciais, pela pandemia de Covid-19 e pelo contexto adverso dos últimos anos. Nascida em 1965, em Estrela Dalva (MG), divide seu tempo entre Juiz de Fora e Armação dos Búzios.
