Leia aqui um poema de "rouxinol negra", de Bethânia de Maria Soares:
Você abre o jornal e lê: Homem negro – inocente – é morto.
E você olha para o filho e olha para o texto.
E pesquisa no google a estatística e apavora-se.
Grita silenciosamente. Lamenta silenciosamente.
Acalma-se, pois não foi um membro da família.
Contrariada, agradece. Pede perdão. Agradece.
Tenta lavar os pratos e lembra quão pequenos somos,
quão inúteis e promete para si mesma ser diferente.
Quando o furor se acalma, senta-se na frente da Tv
e espera – submissamente – a hora da novela.
rouxinol negra, de bethânia de maria soares
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