Leia aqui um trecho de "se nada der certo", de Maurílio de Sousa Júnior:
Não encontro ninguém na rua a essas horas. É sinistro andar por esse lugar à noite. Está calmo demais. Não vejo ratos esgueirando pelos bueiros, nem gatos andando pelos muros. Nem o vento sopra por aqui. Pareço sozinho, mas não estou. Alguém está me espreitando de algum lugar. O que farei se aparecer? Preciso continuar andando. Tenho que pegar o ônibus para voltar para casa. O ponto é distante, há uma longa caminhada pela frente. O coletivo não para fora do ponto. Ele passa, mas não para. Talvez de dia os motoristas sejam mais generosos. Já à noite, não querem saber de gentilezas. Acho que sentem medo também. Devem ganhar mais por dirigir nesses horários, por isso se arriscam. Coisas ruins acontecem na escuridão.
