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Leia aqui um trecho de "sedimentos em fluxo", de Van Zan:
 

E ainda que eu não me conheça, eu sempre me fotografo pra tentar me ver. E quando olho para o que fotografei, também enxergo os meus olhos. Como se estivessem posicionados em uma ininterrupta constância, dentro da qual, o que você verá de mim, também serão os meus olhos, enxergando através dos seus um você que nem existe, junto comigo, nos configurando. Não sei quando foi exatamente que essa sensação começou, mas sei que ela se reinicia em cada questionamento. Tem me entontecido.

sedimentos em fluxo, de van zan

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  • Era ano de Copa do Mundo - 1982, e, diz-se até hoje que o país tinha a melhor seleção a já perder tal campeonato, quando na chamada periferia da cidade de São Paulo, abraçada por uma família de raízes entrelaçadas em diversas terras e espaços, em uma manhã de sábado de Carnaval, dentro da barriga de sua mãe, uma criança era surpreendida por um leve acidente automobilístico.

    Decidida, resolveu nascer.

    Precisava saber o que se passava do lado de fora da vida.

    Destemperada em reações extremas diante das coisas que lhe sensibilizavam, seguiu, em uma espécie de busca frenética e curiosa pelo todo ao redor - ainda que lhe faltasse tradução.

    Um dia, com muito esforço porque a cabeça da menina era brincante, a mãe lhe ensina todas as letras, e ela descobre a criação humana mais capaz de situá-la no que passou a ser o seu equilíbrio da vida, a escrita.

    Agora, escreve em tudo o que vê, física ou mentalmente, preenchendo os espaços do existir com as palavras.

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