Leia aqui um poema de "semblante", de Izabela Sanchez:
Isabel
Doce Isabel, pobre Isabel.
Isabel sofre:
nem de lágrima pode Isabel.
De si, do social:
escrava.
Deve ser:
lavar roupa lavar louça.
Respira, Isabel!
Até não poder.
Derrete, Isabel:
enquanto queimam sua pele no fogo dos dias.
Na labuta, enquanto queimam sua alma.
Seja leve, Isabel:
Foge, eterna, queima também vida afora.
Não olhe para trás.
Fecha os olhos: deixe-os em algum lugar.
Vai-te, Isabel!
Vai-te, sem avisar.
Beija a criança, não faça, hoje, a janta.
Fecha a porta:
vai.
semblante, de izabela sanchez
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