Leia aqui um poema de "sorrindo para os caninos da fera", de Eduardo di Bernardi de São Thiago:
sorrindo para os caninos da fera
o pulso do coração tem o vigor pra rasgar
uma montanha
com o dentes
e dar amor a algo não é senão
jogar os olhos em sacrifício
num penhasco
para enxergar o breu como um cego:
se jogar
nos próprios olhos sacrificados
sorrir para os caninos da fera -
porque a vida pede um pouco de remexo
desafiar a fome da fera para uma capoeira
não é sobre dar o troco na memória
explodir-se com a granada
a infância nas mãos
não é sobre não ter nada a perder
por isso metralhar
declarar guerra ao próprio cenário
de ter tudo a perder
é sobre ter tudo a perder
all-win com o peito atrevido
jogar as cartas do penhasco num round
- os olhos sacrificados -
e amar o pulso do coração
como quem se arremessa
com o corpo de uma criança
no redemoinho do mar
viver é brincadeira de adulto
