Leia aqui um poema de "textos que escrevi quando estava me afogando", de Franck Wirlen Quadros:
Ainda lembro da gravioleira.
Lembro também do prego que você mandou cravar no pé dela,
sem que me explicasse muito o porquê.
Eu, com mãos hesitantes, fiz como pediu. Você dizia que era para ela crescer.Naquela época, não entendi. Hoje, talvez entenda.
Ou talvez não.
Será que ela sentiu dor? Será que cresceu por causa disso?
Você dizia que a dor fazia crescer. Deve ser isso.O fato é que ela cresceu.
Passei por lá anos depois, depois de sua partida,
depois de papai ter vendido a casa.
E a gravioleira estava lá, ainda de pé.
Mas parecia outra coisa. Ou talvez fosse eu.
textos que escrevi quando estava me afogando, de franck wirlen quadros
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