Leia aqui um poema de "todos os poemas já foram escritos", de Elias Ferrarezi Pacheco:
EPÍGRAFE
O fastio, o desencanto de tudo.
Todos os filmes já foram feitos,
todos os livros já foram escritos.
Cada pequeno palmo (de tudo),
percorrido
— homens e sua necessidade
de pisar em toda parte!
Todos os amores,
mesmo os improváveis,
mesmo os impossíveis,
gastos!
Todos os mecanismos do ódio.
O tédio, a exaustão de tudo.
Todos os mísseis foram inventados,
não precisamos de mais um foguete.
(Só não inventaram uma coluna high-tech,
que substituísse a minha
e me curasse as dores nas costas.)
Não há boa nova, nenhum deus virá,
não há sombra de socialismo no horizonte
— esqueça!
As novas gerações, quando aqui chegaram,
encontraram um mundo já findo.
Não foi a guerra, o cataclismo,
apenas uma velha lepra, gota a gota,
o consumiu.
Veneno antigo nas artérias do mundo...
Todos os sonhos acabaram,
testamos todas, todas as possibilidades de se sonhar.
Qualquer material com que se pudesse
inventar o novo sonho.
Não valeu a pena.
Não há nada de novo embaixo do sol,
apenas talvez as sombras que ele não alcança.
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