Leia aqui um poema de "um breu", de Ramon Amorim:
O BOJO DAS COISAS
O canto que fiz não me fez passarinho. As façanhas da vida, escondidas nos males, espantadas para os vales, vibram em alinho.
O amor que ofereço não me faz um amante. Coroado, sou rei, coração que surrei na sangria pulsante.
As palavras que teço não fazem de mim menestrel. Prendam todos os bardos que não carregam o fardo de se pôr no papel.
As histórias que conto não fizeram de mim tecelão. Teadas perdidas, noites mal dormidas, sem rumo ou visão.
As ideias que tenho não me fazem um sábio. Naquelas artérias, nada vira matéria, som que não move lábio.
A vida que tenho não fez de mim otimista. Erguido em escombros, me apoio nos ombros como um cego na pista.
um breu, de ramon amorim
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