Leia aqui um trecho de "uma morte para satoshi kurusawa", de Rafael Rissoli:
Kurusawa passara a rechaçar internamente de todas as filosofias bélicas, da esgrima ou qualquer forma de se buscar sentido ou nobreza na guerra, a qual o evocava apenas visões corpos e corações mutilados, lágrimas e sofrimentos, os quais ele sequer poderia se lamentar abertamente, afinal, ele refletia, se saíra vivo junto de seus soldados após cada combate, sorte que seus adversários não tiveram! Suas reflexões o fizeram abominar em segredo toda exaltação à guerra, a qual que considerava uma tentativa dos nobres em buscarem algum conforto em meio ao horror que eles sabiam provocar nos outros já que, sejam eles adversários ou aliados, o maior sofrimento recaía sempre sobre os buscavam uma vida de paz. Kurusawa pensava, em maio à sua desolação, que nem mesmo milhares páginas de poemas e cânticos poderiam apagar ou mesmo suavizar as memórias horrendas que guardara da guerra. O cheiro da morte, do desespero e da dor alheias, que impregnara suas narinas e sua alma, formaria sempre um rastro por qualquer caminho que sua linhagem nobre seguisse e, apesar disso, ele pensava, sempre voltava vivo, sadio e cada vez mais vazio para o aroma doce e suave de mais um gole de saquê. Um brinde à Morte, que um dia a Sorte me conceda encontrar! Ele repetia, a cada batalha vencida, em meio ao silêncio e a solidão de seus pensamentos.
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