Leia aqui um poema de "urutau", de Nathan Soares:
ROMÃS EM NOVEMBRO
Em uma manhã de um novembro qualquer—
—Eu me banho em Romãs—.
De profundos Solos—Houve Resgate;
De sóis escaldantes—escaldam sobre mim seu Escarlate.
Carregadas por Mãos calejadas,
Testas suadas—colhem e acolhem.
A Máquina—prensa, esmaga o carmesim. Em
Uma Barra de Sabonete—é transformada para mim.
Arrancada a casca – e seus Gomos,
Preciosas sementes sangrentas como
Rubis, separadas – valem a bagunça – se tornam:
Uma Oferenda em minhas mãos.
Eu que me banho de Romãs em novembro—
Como quem se banha do orvalho dos Filhos dos Deuses,
Vejo—O Rubro esguio da Vida—
Diluída—
Na água—que pelo ralo se aventura.
Eu—uma Força—Filho de Adão;
Me banho de Romãs—agora, Espuma.
Descascam-se sem proteção
Cada Gomo se engole como se fosse Outro e se torna sabão;
E eu me devoro—em água—me torno: Transformação.
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