Leia aqui um trecho de "versos famintos", de Renata Souza:
Um Blues
Desassociando da realidade que lhe imputava
Pudicos comportamentos,
Ela, desidratada, buscava saciar essa sede
Em seus voluptuosos pensamentos.
Corpo em febre,
Pele arrepiava,
Uma boca quase dormente,
Outras bocas com ânsia procurava.
Nesse lance, nesse transe
Que lhe transcendia,
Ela exalava solidão
Umidificando poesia.
Descascada de qualquer pudor,
Já repudiava esse tipo romântico de amor
Que já não a enganava.
Já madura, o seu corpo entendeu
E a Mulher independente sua mente obedeceu.
Sombras, tramas e paisagens que o desejo teceu:
Um dia seu amante era Lancelot, no outro Romeu.
Vikings viris, cantores egóicos de barzinho,
Lenhadores e motoristas de aplicativos cheios de carinho.
Domadores de leões e mágicos circenses,
Homens elegantes, homens simples,
Mas todos indecentes.
O melhor: sem se preocupar com final,
Pois ela comia de tudo no seu espaço liminal.
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