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Leia aqui um poema de "égide", de Binho Rodrigues:

 

Acalento 

 

No compasso do farol do tempo 

Jazem promessas privando o mais pobre, 

Jazem angústias entre os acalentos, 

Jazem Vesúvios de ouro e vinho nobre 

 

O céu nos seca em magistral incumbência 

Sugando auras, líquidos, louvores 

Calando o século dessa demência 

De engrenagens rangendo rumores 

 

A vida humana vaga e sem sentido 

Em fricativos contra os velhos medos 

Com seus dantescos miseráveis vícios 

Tornou-se o grão da gangrena dos ventos 

 

E quando a árvore tornou-se fruto 

Cobriu com estrias todos os quintais 

 

Todos os mundos murmuraram surdos 

Pelo oceano sangrento da paz 

 

E pela paz surrada pelo homem 

Fez-se o sertão onde era matagal 

Fez-se da índia, a musa sem casa 

Tendo que olhar-se aos olhos do animal 

 

A piedade não poupou pegadas, 

Pisando a pele o pomo do opressor 

Gritou palavras de ordem enraizadas 

Sobre o caráter que a crença moldou 

 

Então o nirvana veio como afago 

Provando a tudo que era redentor 

Após as bombas retumbando brados 

Nasceu à noite o braço protetor. 

égide, de binho rodrigues

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  • Binho Rodrigues é músico, compositor e estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Teve poemas publicados nas antologias Além da Terra, Além do Céu (Volumes I e II), pela Editora Chiado, integrou a coletânea Sopa de Letrinhas publicada pela Sopa de Letrinhas Editora e participou do livro Poesia Todo Dia, publicado pela editora Agbook. Em Égide, o autor utiliza sua escrita como voz que transita entre o realismo social contemporâneo, o amor e a angústia, apresentando uma transição definitiva para uma poesia visceral e madura.

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